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Sindicato rebate Bolsonaro: ‘Políticos passam, credibilidade do IBGE fica’

07/11/2018 - Economia
Bolsonaro chamou pesquisa de desempregados de farsa; entidade de funcionários do IBGE afirma que não é a primeira vez que instituto sofre ataques

 O presidente eleito Jair Bolsonaro disse ontem que pretende rever a metodologia de cálculo do número de desempregados do país. Esse número consta da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), órgão do governo federal.

“Vou querer que a metodologia para dar o número de desempregados seja alterada, porque isso daí é uma farsa”, disse ele em entrevista para a TV Band. “Quem recebe Bolsa Família, por exemplo, é tido como empregado. Quem não procura emprego há mais de um ano é tido como empregado. Quem recebe seguro-desemprego é tido como empregado. Nós temos que ter uma taxa, não de desempregados, mas de empregados no Brasil.”

A taxa medida pela Pnad segue recomendações da Organização Internacional do Trabalho (OIT), das Nações Unidas, para que seja comparável com a de outros países. De acordo com a última Pnad, a taxa de desemprego caiu para 11,9% no trimestre encerrado em setembro, totalizando 12,5 milhões de desocupados.

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores do IBGE (Assibge-SN) rebateu as críticas e disse que “pessoas que recebem Bolsa Família, que não procuram trabalho há mais de um ano ou que recebem seguro desemprego não são classificadas automaticamente como ‘empregadas’”.

“A metodologia das pesquisas não depende da vontade de qualquer governo, pois somos um órgão de Estado, a serviço da sociedade brasileira”, afirma a entidade.

O sindicato diz que esta não foi a “primeira vez que a credibilidade do IBGE e de suas pesquisas foi atacada por políticos”. “Em 2014, os senadores Gleisi Hoffman (PT-PR) e Arthur Monteiro (PTB-PE) questionaram o cálculo da renda domiciliar per capita. Em resposta, a presidência do IBGE decidiu suspender temporariamente a divulgação da taxa de desemprego, o que levou ao pedido de exoneração do cargo de duas diretoras do Instituto e provocou uma greve dos servidores em defesa da democracia interna. Em 2016, o senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO) também atacou a imagem do IBGE, levantando suspeitas sobre a taxa de desemprego.”

Em nota, o sindicato faz um a ao próximo governo de que “o IBGE necessita, urgente, de concurso público para pessoal efetivo, reestruturação do plano de carreira de seus funcionários e de verbas, inclusive para dar conta das tarefas do Censo 2020, levantamento estratégico para o país”.

“Nossa missão é ‘retratar o Brasil com informações necessárias ao conhecimento de sua realidade e ao exercício da cidadania’. Continuaremos a fazê-lo com a dedicação de sempre, mesmo que isso não agrade aos governantes. Os políticos passam, a credibilidade do IBGE fica”, diz o sindicato dos funcionários do IBGE.

Procurado, o IBGE não se manifestou sobre as declarações de Bolsonaro.

Fonte: Veja
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